Apresentação

A região que hoje conhecemos como Santo Amaro ficava, e até hoje está presente, na fronteira entre a vila de Olinda e a povoação do Recife. Em 1537, na carta do Foral dos bens territoriais conferidos à Câmara de Olinda pelo Donatário Duarte Coelho, a localidade é vagamente descrita como uma região que fica nas várzeas do rio Beberibe, na ribeira do mar até o Varadouro, com cinquenta braças de largo do rio Beberibe para dentro e com denominações de capins do conselho. Ainda no começo do século XVII, o bairro de Santo Amaro recebeu o seu primeiro cemitério no terreno doado pelo governo ao cônsul inglês. Trata-se do mais antigo cemitério do Recife, popularmente conhecido como cemitério dos ingleses. Duas importantes artérias do Recife também ficam localizada em Santo Amaro: a Avenida Norte e a Avenida Cruz Cabugá. Na primeira, ao lado do cemitério dos ingleses, fica a praça General Abreu e Lima; na Cruz Cabugá também estão localizados o mercado de Santo Amaro, inaugurado no dia 11 de junho de 1933, o Palácio Frei Caneca e o Hospital de Santo Amaro. O Parque 13 de Maio, o primeiro parque urbano histórico do Recife, inaugurado em 1939, é um dos lugares mais expressivos do bairro, além de abrigar importantes edifícios públicos como a Biblioteca Pública Estadual, a Câmara dos Vereadores e a Assembleia Legislativa. Ligado ao bairro do Recife pela ponte do Rio Limoeiro, Santo Amaro é um bairro de muitas vivências e memórias que ultrapassam sua espacialidade e seus monumentos. É um território construído de lembranças e esquecimentos que convivem com a dureza dos problemas sociais que assolam o bairro desde os primórdios de sua origem.

Conforme a divisão da Prefeitura do Recife, o bairro de Santo Amaro fica localizado na Região Político Administrativa 01 – e fazem parte da RPA 01 11 bairro e Santo Amaro é o maior deles e, de acordo com os dados publicados no site da Prefeitura, o bairro tem em torno de 27.939 habitantes. No mesmo site, há um percentual apontando para cor e raça, entretanto, não há indicativo se esse percentual foi obtido por autodeclaração e que estão divididos da seguinte forma: População por raça ou cor % Branca 34,49 Preta 9,64 Parda 54,27 Amarela 1,3 Indígena 0,3. O percentual por faixa etária aponta que a população jovem, ou seja, público prioritário destacado pelo Projeto Jovens Defensores, tem expressão significativa, embora a faixa etária dos 25 anos esteja conjugada com outra, assim divididos: População por faixa etária hab % 0 – 4 anos 1.745 6,25 5 – 14 anos 4.404 15,76 15 – 17 anos 1.468 5,25 18 – 24 anos 3.471 12,42 25 – 59 anos 13.258 47,45 60 anos e mais 3.593 12,87.

O Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco realizou um estudo importante sobre o território de Santo Amaro e a violência, a partir de uma análise sobre a territorialização violenta neste local, apontando para os grandes centros urbanos no Brasil possuírem múltiplas definições espaciais, onde as “práticas sociais” interagem com o meio, definindo suas fronteiras, suas regras e leis. Traremos alguns recortes deste estudo como justificativa da escolha por esse território para compor o quadro de jovens defensores do Projeto Jovens Defensores Populares de Pernambuco.

O trabalho teve como ponto de partida o levantamento bibliográfico a respeito do tema proposto, bem como sua revisão e aprofundamento teórico-metodológico, de forma que houvesse uma melhor contextualização com a área de estudo. Foram coletadas também notícias dos meios de comunicação, dados estatísticos na Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco e levantamentos quantitativos no Atlas do Desenvolvimento Urbano do Recife, de modo que pudéssemos ter algumas noções preliminares sobre a violência na favela. Num segundo momento, foram feitas visitas in loco com o intermédio de moradores da própria favela, pois, por ser considerada uma área com altos índices de violência, a entrada de pessoas de fora ofereceria, tanto para o pesquisador quanto para os moradores, elevado risco. A conversa informal com os moradores e a observação da comunidade em seu dia a dia propiciaram uma coleta de dados mais condizente com a realidade, haja vista que a aplicação de um questionário formal poderia induzir (como induziu) algumas respostas por parte dos moradores.

Alguns dos resultados obtidos apontam para questões já conhecidas acerca da dinâmica do local, a qual destaca a vulnerabilidade econômica e a ausência de estruturas estatais que possam atender a contento às necessidades da população local. O grave quadro de vulnerabilidade socioeconômica torna os moradores “presa fácil” para o aliciamento das “empresas criminosas”. Apesar da favela de Santo Amaro ser vizinha de empresas de telemarketing e de um polo de desenvolvimento tecnológico, sua população não participa desse mercado de trabalho por apresentar baixo nível de escolaridade. Alguns moradores atuam diretamente na comunidade para tentar mudar, a médio prazo, essa realidade. O alvo dessas ações visa principalmente a população mais jovem, por meio de atividades como, por exemplo, aulas de futebol, informática e cursos profissionalizantes, inclusive com pagamento de bolsas de estudos.

As conclusões em torno do estudo e levantamento bibliográfico localizam o bairro de Santo Amaro inserido no contexto de produção desigual do espaço capitalista, que tem por finalidade desagregar os valores contidos num determinado local, de acordo com seus interesses. Conforme apontado, o bairro é alvo de uma enorme ausência de infraestrutura, reflexo de um sucessivo abandono do poder público, tornando-se, assim, o lócus do desenvolvimento de práticas ilícitas. O espaço territorializado pelo tráfico logo vira o território do medo, onde os grupos criminosos atuam de forma autônoma, suprimindo quase todas as tentativas de emancipação da população que ali reside e é afetada diretamente. O sentimento de medo se torna uma constante para os moradores da favela do bairro — “é o medo nosso de cada dia”. Medo esse que afeta a qualidade de vida.

A população jovem não tem acesso qualitativo a meios que viabilizem a sua profissionalização para inserção no mercado de trabalho, ficando à deriva ou em formas de empregabilidade precarizadas. Muito embora o bairro de Santo Amaro seja marcado pelas inúmeras ausências e desassistência que afetam o cotidiano da população, há uma força que potencializa a resistência dos moradores, expressada em forma de manifestações artístico-culturais que caracterizam o bairro. A riqueza de seu patrimônio imaterial revela um elevado nível de articulação em benefício do desenvolvimento sociocultural, compreendido pelos próprios moradores como força para dirimir os problemas sociais enfrentados no cotidiano. O bairro possui vários grupos culturais que realizam trabalhos de suporte ao desenvolvimento artístico-cultural da comunidade, como afoxé, ciranda, samba de roda, caboclinho, frevo e cavalo-marinho, dentre outros. No período carnavalesco, Santo Amaro exibe um carnaval colorido e animado, configurando um típico carnaval de Pernambuco. De forma simultânea, a escolha pelo bairro de Santo Amaro como um território propício para acolher o Projeto Jovens Defensores demonstra que a vulnerabilidade e a potencialidade se apresentam como fortes indicadores para que, no decurso do processo formativo, os jovens possam gradativamente modificar suas realidades na comunidade.

O que tem aqui!

Conheça quem fez parte!

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.

Eduarda Nunes

EDUCADORA

Eduarda Nunes

Mãe, jornalista e ativista negra de Pernambuco. Com 10 anos em comunicação, política e Direitos Humanos, é formada pela UFPE, cofundadora do Afronte e integra a Rede de Mulheres Negras.

Fernanda Serpa

EDUCADORA

Fernanda Serpa

Mulher, mãe, advogada e educadora popular. Atua no Terceiro Setor com projetos socioculturais e assessoria jurídica a coletivos e OSCs. Usa o direito como ferramenta de transformação social.

Gus Cabrera

EDUCADOR

Gus Cabrera

Nascido em Neuquén (Argentina), vive no Recife há mais de 10 anos. Integra a Rádio Aconchego desde 2014 e o coletivo Sargento Perifa. Formado pela UBA e mestre pela UFPE, é doutorando em comunicação popular.

Herbert Costa

EDUCADOR

Herbert Costa

Homem preto da periferia de Olinda, advogado criminalista e pós-graduado em Criminologia. Integra comissões da OAB-PE, fundou o Cheio de Direito (Sargento Perifa) e atua na luta por justiça social.

José Carbonel

EDUCADOR

José Carbonel

Artista visual, educador e grafiteiro do Recife. Do Totó ao Curado, fundou Manguecrew e Leilão em Chamas. Atua em audiovisual e integra coletivos periféricos. Sua obra afirma resistência e memória.

Nathê

EDUCADORA

Nathê

Grafiteira e arte-educadora da Cohab 1 (Jaboatão), vive em Paulista/PE. Formada pela UFPE, retrata mulheres negras e já pintou murais de até 45m. Integra Afronte, Kardume e outros coletivos.

Renata Santana

EDUCADORA

Renata Santana

Mulher preta, periférica e mãe atípica. Cientista social pela UFRPE, educadora antirracista e criadora do canal “Histórias Negras, Neurodiversas e Infância”. Integra o Sargento Perifa.

Arthur Nascimento

EDUCANDO

Arthur Nascimento

Carolina Barros

EDUCANDA

Arthur Nascimento

Cassia Lima

EDUCANDA

Cassia Lima

Cleyton Silva

EDUCANDO

Cleyton Silva

David Mikael

EDUCANDO

David Mikael

Dayana Silva

EDUCANDA

Dayana Silva

Debora Soares

EDUCANDA

Debora Soares

Eder Vitor

EDUCANDO

Eder Vitor

Emilly Santos

EDUCANDA

Emilly Santos

Gabriel Felix

EDUCANDO

Gabriel Felix

Gabriela Conceição

EDUCANDA

Gabriela Conceição

Jessica Chalegre

EDUCANDA

Jessica Chalegre

Johann Watson

EDUCANDO

Johann Watson

Jonas Ribeiro

EDUCANDO

Jonas Ribeiro

Júlia Chalegre

EDUCANDA

Júlia Chalegre

Kauã Guilherme

EDUCANDO

Kauã Guilherme

Luiz Henrique

EDUCANDO

Luiz Henrique

Manuela Victoria

EDUCANDA

Manuela Victoria

Marcela Caetano

EDUCANDA

Marcela Caetano

Nicolly Silva

EDUCANDA

Nicolly Silva

Paulinha Rodrigues

EDUCANDA

Paulinha Rodrigues

Rayane Barbosa

EDUCANDA

Rayane Barbosa

Richard Santos

EDUCANDO

Richard Santos

Tayna Silva

EDUCANDA

Tayna Silva

Thiago Moreira

EDUCANDO

Thiago Moreira